Os riscos ignorados da pulverização costal

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Autor: Edimilson Inácio de Souza | Publicado em 06/01/2017

Quando falamos de riscos químicos ligados aos trabalhos agrícolas pensamos em aplicação de defensivos agrícolas de maneira mecanizada com o auxílio de trator ou avião, deixando passar despercebidas as pulverizações com bomba costal. Vale lembrar que o uso de bomba costal é comum e muito freqüente e se estende do campo até os grandes centros urbanos, por exemplo, o controle químico de ervas daninhas nas calçadas realizado por trabalhadores de prefeituras, ou aplicação de inseticida por trabalhadores de dedetizadoras nas grandes cidades, por isso devemos fazer o correto estudo das atividades e definir medidas de proteção.

O importante é saber que os riscos de intoxicações por agrotóxicos existem em quaisquer atividades de aplicação: seja no campo ou na cidade, mecanizada ou costal/manual, e as vias de contaminação são: oral, inalatória, ocular e dérmica. A NR -31 têm o seguinte item: 31.8.9 O empregador rural ou equiparado, deve adotar, no mínimo, as seguintes medidas: a) fornecer equipamentos de proteção individual e vestimentas adequadas aos riscos, que não propiciem desconforto térmico prejudicial ao trabalhador;

Para trabalhar com agrotóxicos e produtos afins é obrigatório ser maior de dezoito anos e possuir a capacitação específica prevista na NR – 31 sobre segurança na manipulação de agrotóxicos, e para que o trabalho seja feito com segurança é importante selecionar corretamente os Equipamentos de Proteção individual – E.P.I. A pulverização com equipamento costal/manual exige alta exposição do aplicador à calda do produto e desgaste mecânico, por isso a vestimenta hidrorrepelene (camisa, calça, boné árabe, avental e viseira) será do tipo 2 ou 3 e o que irá definir o tipo da vestimenta será as características da atividade pois existem atividades leves, moderadas e pesadas.

As luvas protegem uma das partes do corpo com maior risco de exposição: as mãos; Produtos que contêm solventes orgânicos devem ser manipulados com luvas de borracha nitrílica ou de Neoprene, que são materiais resistentes a qualquer tipo de formulação. Recomendam-se Luvas de Látex ou de PVC para produtos sólidos ou formulações que não contenham solventes orgânicos. Temos no mercado respiradores descartáveis e respiradores duráveis com reposição de filtros, é importante avaliar o tipo de defensivo que será aplicado (calda, pó ou granulado) para definir a correta proteção respiratória, no caso da aplicação costal temos a calda e o trabalhador está exposto a nevoas e vapores, é importante que o tipo de proteção seja PFF2 e quanto ao modelo podemos optar pelo que proporciona mais conforto ao usuário. Botas devem ser preferencialmente de cano alto, impermeáveis e resistentes aos solventes orgânicos como, por exemplo, de PVC. Sua função é a proteção dos pés.

O E.P.I’s devem ser vestidos na seguinte sequência: calça, jaleco, botas, avental, respirador, viseira/óculos, boné árabe, luvas. É importante que o trabalhador vista roupa comum abaixo dos E.P.I’s (camisa e bermuda) sendo proibido roupas de usos pessoais. Retirar E.P.I’s na seguinte ordem: Boné árabe, viseira/óculos, avental, jaleco, botas, calça, luvas, respirador. As condições meteorológicas preferenciais para aplicação de produtos incluem: Velocidade do vento calmo: entre 3 km/h a 20 km/h; Temperatura atmosférica: abaixo de 30º C; Umidade relativa do ar: acima de 50%; Direção do vento: longe de culturas adjacentes ou zonas sensíveis.

Ao aplicar caldas acima da cintura manter as luvas por fora das mangas da camisa, e ao realizar aplicação abaixo da cintura manter as luvas por dentro das mangas da camisa, não consumir alimentos e não fumar faz parte das boas práticas de aplicação de defensivos agrícolas. Os trabalhos com bombas costais são ignorados por parecer uma atividade simples, rotineira e antiga, mais é necessário que os profissionais da área de saúde e segurança do trabalhador se renovem no conhecimento, e criem cenários seguros através de procedimentos de trabalho e a participação dos executantes dos serviços que sentem na pele as dificuldades das atividades e estão expostos diariamente aos riscos.

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